Câmbio e impostos são entraves

24 Abr 2007
Se os números do desempenho industrial afastam os piores cenários, isso não significa que a produção nacional está livre de problemas. O dilema é que são velhos problemas, que insistem em não serem sanados: a carga tributária de 38% do Produto Interno Bruto, o alto custo dos financiamentos — ou seja, dos investimentos —, a infra-estrutura precária, entre outros. Talvez por cansaço da repetição, parte do setor produtivo nacional tenha trocado a ênfase nessas velhas dificuldades para entoar críticas sobre o câmbio e seus efeitos sobre a competitividade brasileira no comércio global, e mesmo no mercado interno. De fato, o câmbio “valorizado” tem efeito direto sobre a rentabilidade das exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que barateia artigos importados. E nesse ponto sofrem principalmente os setores que não conseguem reduzir essa desvantagem com insumos importados e que têm grande parte de seus custos ligada à quantidade de mão-de-obra empregada, como o setor têxtil e de vestuário, o segundo maior empregador fabril do país, com 14% do pessoal da indústria. Mas os problemas da cadeia de têxteis são maiores que o câmbio — o que, aliás, vale para todo o setor produtivo nacional. A China talvez não fosse um problema tão grande se a carga de impostos nos artigos têxteis não fosse de 54,4%. A mesma lógica vale para outros setores da economia nacional. A diferença é que quando o dólar valia R$ 4 ou R$ 3, os ganhos ainda compensavam pelo menos parte das perdas. “A taxa de câmbio desnuda a ineficiência. O problema é que a valorização do real veio sem que tenha acontecido simultaneamente nenhum avanço nas reduções dos custos sistêmicos da economia brasileira”, avalia o economista-chefe da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. (LOG)